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quinta-feira, 26 de março de 2009

Politica!

A voz rouca das ruas!
Em Londres e em diversas partes do mundo, movimentos sociais prepararam enorme manifestação, paralela ao encontro2C paralela ao encontro dos governos. Idéia é exigir, contra a crise, medidas que enfrentem a desigualdade e a devastação do planeta.
Ignorada pela cobertura dos jornais brasileiros sobre os preparativos para reunião do G-20, uma iniciativa dos movimentos sociais da Inglaterra está mobilizando a imprensa daquele país. Em 28 de março, centenas de milhares de pessoas devem ir às ruas em Londres, para reivindicar que a crise econômica seja enfrentada com medidas que questionem a atual ordem econômica — e não com paliativos, ou simples correção dos “excessos do sistema”. Será um recado claro aos chefes de governo do grupo de 20 nações ricas e “emergentes” que se reunirão, também na capital inglesa, a partir de 2 de abril, e que parecem envoltos em graves divergências.

A manifestação é resultado de reuniões realizadas em Belém (Brasil), durante o último Fórum Social Mundial. Em torno dela, está se articulando o que o diário The Observer considera ser “talvez a mais ampla coalizão de grupos de pressão já formada no Reino Unido”, com força comparável à que promoveu a manifestação de 1 milhão de pessoas contra a guerra do Iraque, em 2003. O jornal ressalva que agora a situação é mais difícil e complexa. Não se trata mais de protestar contra uma ação militar, mas de “articular uma trama complexa de movimentos e agendas, unidos por uma emoção: a repulsa à encarnação mais recente do capitalismo e a busca por novas formas de organizar a economia do planeta”.

terça-feira, 10 de março de 2009

O medo da crise tem que ser dominado!

GESTÃO DE PESSOAS EM TEMPO DE CRISE

Então, não há como separar dela o homem e suas contradições. Quando uma crise chega numa organização, antes de fazer estragos nos balanços, afeta, primeiramente, os seus talentos podendo ter desfecho trágico. Poucos têm a real dimensão de como ela abala a estrutura psicológica e como o medo que traz paralisa a inteligência das pessoas. Estudiosos da mente sempre alertam para os efeitos perversos do pânico, da depressão, da apatia e da corrente da má notícia.

Os consultórios psiquiátricos e psicológicos vivem abarrotados de gente, incluindo trabalhadores e empresários que buscam na terapia e nos psicotrópicos a segurança que o ambiente de negócios e o do trabalho não está lhes proporcionando. O empregador não dorme mais pensando na ameaça aos lucros, e o empregado tem pesadelos com o fantasma do desemprego. O empresário teme a falência; e o trabalhador, a ameaça do facão. Os dois sabem da dependência um do outro para dar resultados, mas num momento em que só se fala em crise, o medo e o suspense falam mais altos. É um clima digno de um filme de Alfred Hitchcock.

No desespero empresarial, a ordem é cortar custos, e a primeira conta é a folha de pagamento. Entretanto, sem gente motivada não há criatividade, não há encantamento de clientes, não há argumento de vendas, e o negócio pode morrer de inanição. Abrir mão de bons talentos é burrice porque, além dos custos financeiros e emocionais, pode comprometer o futuro quando a crise passar.

Uma boa capacidade de gerir pessoas é o ponto chave neste momento. Começa pelas lideranças. O presidente da empresa em vez de fazer ameaças deve demonstrar que é destemido, mesmo que as escondidas esteja acendendo velas para o santo. O Chefe "bumbum mole" deve ser despachado para a concorrência; e os pessimistas de plantão, inscritos numa imersão espiritual. Às lideranças gerenciais compete, prioritariamente, monitorar o clima organizacional agindo para criar positividade, que começa com os dirigentes sendo transparentes e não economizando na comunicação.

É importante conversar com as pessoas mostrando a realidade, dando direcionamento, desafiando a criatividade, pedindo adesão e destacando os pontos fortes que a organização tem para enfrentar a tempestade. Nada de ficar aos berros ou bancando os "nervosinhos". Pessoas amedrontadas, sabidamente, não produzem.

Demissões deve ser o último recurso e não o primeiro. Antes, é preciso verificar que processos e excessos podem ser eliminados. Ao cortar despesas não se deve confundir austeridade com mesquinharia. Na agenda deve estar o desafio de como motivar as pessoas para transformar a empresa numa organização mais ágil, com maior qualidade e imbatível na oferta dos seus produtos.

É momento de ter cuidado no trato com as emoções para não ter uma empresa cheia de gente doente. É importante usar as emoções de forma inteligente aproveitando os efeitos positivos da intuição, da empatia, da compaixão e outros sentimentos. Mais do que nunca, é tempo de empregados e empregadores darem as mãos e usar a força dos vários tipos de inteligência de que são dotados. Se, depois de todo esse esforço, nada disso valer, podem assentar e chorar. Mas, só por alguns instantes. (CDP)


*Cícero Domingos Penha é Vice-Presidente de
Talentos Humanos do Grupo Algar e
Autor do Livro "Atitude é Querer".
Email: cícero@algar.com.br
Artigo publicado, originalmente, pela Febratel News, em 18.02.2009.